Todos os caminhos levam a Roma?

Júlia Milward

Nos caminhos da Pompéia, percebo, nas fachadas das casas antigas e nos rastros das demolições recentes, elementos de uma arquitetura de inspiração neoclássica em vias de desaparecimento. Colunas remixadas de diferentes ordens, estátuas sem templos, árvores inativas de origem mediterrânea. Construções copiadas e traduzidas. Versão brasileira de outras civilizações. A relação imediata do nome do bairro com a cidade historicamente conhecida pelo resguardo patrimonial involuntário, frisa e influencia a construção do discurso de interpretação superficial proposto pela nomeação. Jogo de palavras acentuado pela localização geográfica do bairro que faz fronteira com a Vila Romana. No vaguear pelo nomes, tomo notas fotográficas das traduções aparentes durante o trajeto, estranhamentos que se destacam na paisagem urbana. Refaço os caminhos cotidianamente e a repetição não traz o similar no território em queda. A única certeza é que não há garantias de revisão, por isso a fotografia não pode ser deixada para amanhã. Afinal, todos os caminhos já não levam mais a Roma. A experiência de uma ideia de vazio que poderíamos imaginar de um edificação demolida não dura mais que duas semanas. Logo surgem as imagens porvir em pré-moldados: plantas baixas individuais projetadas em 10.000 exemplares, encenações de alojamentos particulares; arbustos recém instalados num jardim natimorto. O futuro nas alturas acompanhado de slogan. Nessa especulação imobiliária o nome de Pompeia se apaga sobreposto por Perdizes que vale mais.

Julia Mlward I 2020
Orientadora I Ângela Berlinde