Volúpia

Nalu Rosa

Uma ponta reluzente e preta surgiu dentre as ondas e foi parar na areia grossa, unida a uma espécie de tentáculo rosáceo. A ponta vinílica tocou a moça e agarrou-lhe a perna. O monstro foi surgindo das águas e se exibindo, cintilando na luz baixa do fim da tarde.
A barreira vai quebrar essa noite. A lagoa vai encher.
O flash trovejava, a lona amarela flutuava acima da pedra grande com tripé.
Espinhos se aproximavam do rosto da humana, mas não arranhavam. Confiou. Deixou-se ser abraçada por trás, enquanto garras seguravam seu pulso, tornozelo, tentáculo entre as pernas, quente e úmido de sal, pelúcia e pêlo escorrendo nas costas, derretendo-se na areia de vidro, a cama cor de terra macia.
A máquina costura as ondas e o que está por dentro — costura o que é imo no oceano de si — enquanto as ondas-máquina costuram o gozo.
Levanta.
A lua é coincidentemente cheia. Um mergulho no rio que deu pro mar.

Nalu Rosa I 2020
Orientadadora I Ângela Berlinde