PABLO ALBARENGA

Sementes da resistência
Seeds of resistance

No mesmo ano em que Albarenga inicia seu projeto, em 2018, um relatório da organização de direitos humanos Global Witnesses estabeleceu que, em 2017, pelo menos 201 defensores da terra e ambiente em todo o mundo perderam suas vidas enquanto protegiam suas comunidades e regiões da devastação da mineração, agronegócio, extração de madeira e outras indústrias ambientalmente devastadoras. A maioria das mortes ocorreu na América Latina e somente no Brasil foram assassinados 57 defensores, 80% deles mortos enquanto defendiam uma parte da floresta amazônica. Apesar dessa situação alarmante, as comunidades tradicionais da América Latina não se intimidam e continuam a proteger seu território contra projetos de desenvolvimento que exploram os recursos naturais de uma região sem levar em consideração sua história ou cultura. As populações tradicionais, recusam-se a abandonar suas terras sagradas onde viveram gerações e estão ali enterrados seus ancestrais, mesmo depois de sua grande destruição. Este ensaio fotográfico busca iluminar a poderosa conexão entre os defensores da terra e os territórios que eles defendem de forma tão feroz. “Eles [os fazendeiros] acham que a solução é nos enterrar, mas não perceberam que somos sementes.”

In 2018, the year I began this photographic project, a report established that during 2017 at least 201 land and environmental defenders worldwide lost their lives while protecting their communities and regions from the ravages of mining, agribusiness, logging and other environmentally devastating industries. According to the human rights and environmental organization Global Witness, the majority of the deaths were in Latin America, where 57 defenders perished in Brazil alone, 80 percent of them killed for defending a part of the Amazon rainforest. Despite this alarming situation, the traditional communities of Latin America are undaunted and continue to protect their territory against development projects that exploit a region’s natural resources without consideration for its history or culture. Traditional populations, bound to the sacred land where generations of their ancestors lived and are buried, refuse to abandon it, even after it has been largely destroyed. This photo essay seeks to illuminate the powerful connection between land defenders and the territories they so fiercely champion. “They [the ranchers] think the solution is to bury us, but they didn’t realize that we are seeds”

pabloalbarenga.com
Uruguai

Nantu é um jovem indígena da Nação Achuar, do Equador, que lidera um projeto de barcos fluviais movidos a energia solar para transporte coletivo. Ao instalar painéis solares no teto de um barco especialmente projetado, ele trabalha para acabar com a dependência de Achuar da gasolina. À esquerda: em suas terras, Nantu está deitado vestido com as tradicionais roupas Achuar. À direita: a floresta tropical intocada do território Achuar que Nantu quer proteger.

Nantu is an indigenous young man from the Achuar Nation of Ecuador who leads a project of solar-powered river boats for collective transport. By installing solar panels on a specially designed boat’s roof, he has been working to end Achuar’s dependence on petrol. Left: On his land, Nantu is lying down dressed with traditional Achuar clothing. Right: the pristine rainforest from the Achuar territory that Nantu wants to protect.

Drica é a primeira mulher eleita coordenadora do território quilombola e representa as cinco comunidades que vivem na Amazônia brasileira. O primeiro desafio que essas comunidades enfrentam são os madeireiros ansiosos para fazer acordos com a comunidade. O segundo é uma mina de bauxita rio abaixo: os mineradores constroem barragens que estão colocando em risco todo o rio Trombetas. Mas, para Drica, o maior desafio de todos é um grande projeto de barragem hidrelétrica que provavelmente receberá luz verde do governo e que não só destruirá o meio ambiente, mas também deslocará as comunidades de sua terra natal. À direita: Drica deitada em sua terra ancestral. À esquerda: vista aérea da mina de bauxita do rio Norte, próxima ao território de Drica.

Drica is the first woman to have been elected as Quilombola Territory Coordinator and she represents the five communities living in the Brazilian Amazon. The first challenge these communities face is loggers eager to strike deals with the community. A second challenge is a Bauxite mine down the river: it has been building dams which are putting the entire Trombetas River at risk. But for Drica the greatest challenge of all is a huge hydroelectric dam project which will probably be green-lighted by the government and which will not only destroy the river environment but also displace the communities from their homeland. Right: Drica lying down on her ancestral land. Left: Aerial view of the Rio Norte Bauxite Mine next to Drica’s territory.

Tupí tornou-se a primeira mulher em sua aldeia a afirmar que havia enfrentado violência contra a mulher. Esse foi o primeiro passo para encarar a questão da violência de gênero em sua aldeia, às margens do rio Tapajós, na Amazônia brasileira. Como uma mulher indígena Tupinambá, ela incentivou outras mulheres indígenas a contar suas histórias e combater a violência de gênero. Dessa forma, Tupí lidera um grupo de apoio às mulheres, para ajudá-las no processo de enfrentamento da violência. À direita: Tupí em sua aldeia natal. À esquerda: o território que Tupí defende: seu corpo e os corpos das mulheres indígenas.

Tupí has become the first woman in her village to assert that she had faced violence against woman. That was the first step to address the issue of gender violence in her village, next to the Tapajós river, in the Brazilian Amazon. As an indigenous Tupinamba woman she has encouraged other indigenous women to tell their stories and fight gender violence. This way, Tupí leads a women’s support group to help women go through the process of addressing violence against them. Right: Tupí in her home village. Left: The territory that Tupí defends: her body and indigenous women bodies.

Dani é uma ativista LGBT da comunidade Prainha II, no rio Tapajós, que luta pelo seu reconhecimento LGBT e também pela defesa de seu território contra a expansão do agronegócio. A reserva natural onde mora é cercada por plantações de soja. À esquerda: um dos campos de soja próximo ao território de Dani. Meio: Dani deitada em seu território. Campos. À direita: o limite entre a floresta tropical onde vive Dani e a plantação de soja.

Dani is an LGBT activist from the Prainha II community, on the Tapajós river who fights for her LGBT recognition and also to defend their territory from agribusiness expansion. The natural reserve where she lives is surrounded by soybean fields. Left: One of the soybean fields next to Dani’s territory. Middle: Dani laying on her territory fields. Right: The limit between the rainforest where Dani lives and the soybean.

Julian é um indígena da nação Achuar, do Equador. Ele luta coletivamente para proteger sua comunidade das consequências de uma nova estrada que entra no território Achuar, entre outras ameaças, como o desmatamento, que já afeta seus vizinhos indígenas Shuar. À direita: Juliano deitado em sua sagrada terra indígena. À esquerda: vista aérea da nova estrada que entra no território Achuar.

Julian is an indigenous man from the Achuar Nation of Ecuador. He fights collectively to protect his community from the consequences of a new road entering the Achuar territory, among other threats such as deforestation, which is already affecting his fellow indigenous Shuar neighbors. Right: Julian lying down on his sacred indigenous land. Left: An aerial view of the new road entering the Achuar territory.