SOB ATAQUE

Garapa (Paulo Fehlauer e Rodrigo Marcondes) I Brasil

Sob ataque traz uma reflexão sobre as camadas de conflito que se sedimentam na região central da cidade de São Paulo, no Brasil. Muitas bombas, reais e simbólicas, têm explodido nesse território moldando uma rotina de violência descontrolada que atinge as pessoas  ̶ principalmente as populações mais vulneráveis  ̶ e as dinâmicas históricas e sociais da região. Por meio de “explosões controladas”, calculadamente detonadas pelos artistas em áreas abandonadas do Centro, as imagens carregam tanto o fascínio dos fogos de artifício, quanto a eminência de um desastre.

Sob Ataque brings a reflection on the layers of conflict settled in the central region of São Paulo, Brazil. Many bombs, real and symbolic, have exploded in this territory, molding a routine of uncontrolled violence that affects the people and the historical and social dynamics of the region. Through “controlled explosions”, calculated by the artists in abandoned areas of the region, the images carry both the fascination of fireworks and the imminence of a disaster.

A Zone to Defend

Penelope Thomaidi I Grécia

Na França, a sigla ZAD, nomeada oficialmente Zone d’aménagement différé (Zona para desenvolvimento futuro), serve para representar uma ocupação ativista destinada a bloquear fisicamente um projeto de desenvolvimento. A sigla foi renomeada pelos ativistas como ZAD, Zone à défendre (Zona a defender) e, nesse projeto, Thomadi documenta a rotina de resistência no ZAD de Notre-Dame-des-Landes, no oeste da França. Uma comunidade ativista foi formada no local há cerca de 40 anos para preservar terras agrícolas do desastre decorrente de um projeto de construção de um aeroporto na área. Após o cancelamento oficial do projeto, a comunidade foi surpreendida com uma operação de despejo em grande escala, iniciada em 9 de abril de 2018, ação que contou 2.500 policiais, carros blindados, drones e helicópteros. A comunidade segue ativa, negociando seu futuro.

ZAD, in France, stands for an activist occupation intended to physically block a development project. Called officially Zone d’Aménagement Différé (zone for future development), it was renamed by protesters as the Zone à Défendre (zone to defend). The ZAD of Notre-Dame-des-Landes in west France was the first place to be named so. An activist community was formed there around a 40-year long struggle to preserve farmland against “an airport and its world”. After the official cancellation of the airport project, a large-scale eviction operation started on April 9th, 2018, comprising 2500 gendarmes, armored cars, drones, and helicopters. The community is still negotiating its future.

Case No 14. The Storm on the Baltic Sea I Caso nº 14. A tempestade no Mar Báltico

Karel Koplimets I Estônia

Caso 14. A tempestade no mar Báltico é uma instalação de vídeo que, numa atmosfera densa e antinatural, lembra as pinturas marinhas dos séculos 17 a 19, e retrata um pequeno navio em um mar tempestuoso, lutando contra ondas pesadas. Não há nem fim ou começo, o barco está sempre prestes a afundar. A cena foi gerada por computador, mas a experiência de turbulência, medo e constante ansiedade em relação ao naufrágio eminente é bem real. Em loop, o trabalho é uma metáfora para uma luta sem fim.

Case No. 14. The storm in the Baltic Sea” is a video installation that, in a dense and unnatural atmosphere, reminiscent of marine paintings from the 17th to 19th centuries, depicts a small ship in a stormy sea, fighting heavy waves. There is no narrative, no end, no beginning, the boat is always about to sink. The scene was computer-generated, but the experience of turbulence, fear, and constant anxiety about the impending shipwreck is very real. In a loop, a metaphor for an endless fight.

Pretend Villages I Cidades "Faz de Conta"

Christopher Sims I USA

The pretend villages, documenta simulações de vilas iraquianas e afegãs, com suas estruturas e habitantes, imaginadas e fabricadas nos campos de treinamento das bases militares dos EUA, situadas nas florestas da Carolina do Norte e Louisiana. Ocupando uma grande extensão de deserto perto do Vale da Morte, na Califórnia, servem como estações de passagem estranhas e pungentes para os soldados que partem para a guerra e para aqueles que fugiram dela vindos do Oriente Médio. Nesse cenário, tropas estadunidenses encontram atores – muitas vezes imigrantes recém-chegados do Iraque e do Afeganistão que agem como “atores culturais” – pagos para imitar a rotina de uma vida em sua terra natal, simulando para os saldados como seria o cotidiano na aldeia inimiga. Esse faz de conta, que busca recriar com precisão cidades iraquianas e afegãs para fins militares torna as relações culturais, sociais e humanitárias não apenas distorcidas, mas sinistras como pesadelos.

The Pretend Villages documents the inhabitants and structures of imagined, fabricated Iraqi and Afghan villages on the training grounds of U.S. military bases. Situated in the deep forests of North Carolina and Louisiana and a great expanse of desert near Death Valley in California, these villages serve as strange and poignant way stations for soldiers headed off to war, and for those who have fled from it: American troops encounter actors, often recent immigrants from Iraq and Afghanistan, who are paid to be “cultural role-players.” Christopher Sims photographed in these surprising and fantastical realms over fifteen years as U.S. wars abroad fluctuated in intensity—with this series, he presents an archival record of “enemy” village life that is convincingly accurate and sometimes comically misdirected, mundane, or nightmarish.

Plain Text I Declaração de Empatia

Marta Bogdańska I Polônia

Plain text é um termo de espionagem, refere-se a uma mensagem antes da criptografia ou após a descriptografia. Nesse projeto, que leva o mesmo título, Bogdanska reflete, em um contexto geopolítico mais amplo, sobre sua relação com o Líbano, onde viveu por oito anos. No Líbano a artista participou de uma rede de pessoas que se comunicava por mensagem de celular sobre assuntos relativos à segurança, como atentados, bombas entre outras situações de risco. Para tanto, retoma mensagens de texto com atualizações de segurança disparadas diariamente em seu celular. Mensagens que, supostamente a serviço da proteção da população, traziam informações sobre algo que aconteceu ou indicativos de algo que se espera que aconteça, impactando fortemente o clima social local. Bogdanska confronta essas mensagens com sua própria experiência e em diálogo com imagens tomadas de sua rotina pessoal, compondo um diário gossip & fiction. Contra narrativas que revelam um dispositivo de propaganda, tomado como ferramenta política, fomentando um medo calculado e estabelecendo zonas de perigo na cidade, conformando uma realidade manipulada, que oculta a que de fato retrata o país onde, em um cenário pós-conflito, as pessoas buscam reconquistar a paz.

PlainText is a spying term, it refers to a message before encryption or after decryption. In this project, which has the same title, Bogdanska reflects, in a broader geopolitical context, on her relationship with Lebanon where she lived for eight years. For this purpose, it resumes text messages with “security updates” bombed daily on your cell phone. Messages that, supposedly in the service of protecting the population, bring information about “something that happened” or indicative of “something that is expected to happen”. Bogdanska confronts these messages with her own experience and in dialogue with images taken from her routine, composing a gossip and fiction diary. Counter-narratives that reveal a propaganda device, taken as a political tool, fostering calculated fear and establishing danger zones in the city, shaping a manipulated reality that hides the one that portrays the country where, in a “post-conflict” scenario, people seek to regain peace.

Labour book I Livro de Trabalho

Kirill Golovchenko I Ucrânia

Na União Soviética, o chamado Arbeitsbuch ou Livro de Trabalho, estabelecido em 1939, constitui um resumo da vida profissional de um funcionário. Os registros trabalhistas aí documentados servem para determinar cálculos de pensão e aposentadoria, embora o valor das pensões seja extremamente baixo e muitos idosos sejam obrigados a continuar trabalhando para sobreviver. Golovchenko aborda esse tópico político ̶ da precarização dos direitos trabalhistas e previdenciários, assim como os ataques sofridos pelo sistema de bem-estar e garantias sociais  ̶ denso e urgente, com um gesto simples. Insere fotografias que documentam a vida de trabalho de vários idosos em páginas no Livro de Trabalho de seu próprio pai. Desde seu estabelecimento, o Livro de Trabalho tem oficialmente a capa azul, que é, desde então, a cor oficial dos uniformes. Um azul que persiste em todas as imagens perseguindo a rotina das pessoas.

Labour books have existed in the Soviet Union since 1939. The German employment record book apparently inspired Stalin. These books still exist in Russia and Ukraine. They are a kind of summary of an employee’s working life and they should all be documented in his/her place of work and are used to determine pension. The level of pensions is very low and is less than 55 Euros per month. This means a struggle for survival for many seniors every day. Many of them are forced to continue working to survive. Pensions are not enough to live. The entire system of labor books therefore seems pointless. The government has deceived the workers. This series has a blue cover. At the same time, the color is specific for working clothes, both then and now. The blue color appears in every picture and “persecutes” people. I took my father’s work record and put the pictures on its pages. I deliberately put the images in the foreground, so that the contents cannot be read. Because it ultimately is not about the entries, such as their promotions and rewards, in this “meaningless” book but through the images, is a true story about the people.

What Mortals Henceforth Shall Our Power Adore I
O que os mortais doravante devem poder adorar

Chris Alton I USA

O que os mortais doravante devem poder adorar é um ensaio em vídeo que discute sobre as estruturas de poder, suas violências multisseculares, assim como estratégias de manutenção de privilégios de grupos de interesses privados. Estabelece conexões entre a mitologia clássica, o colonialismo britânico, as armas nucleares e a evasão fiscal contemporânea, explorando o símbolo do tridente, que se figura na obra como uma cifra desenhada para fins coloniais por aqueles que querem subjugar os demais.

What Mortals Henceforth Shall Our Power Adore is a video essay, which draws connections between; classical mythology, British colonialism, nuclear weapons, and contemporary tax avoidance, via the symbol of the trident. The work frames the trident as “… a cipher for colonial intent, drawn upon by those who would subjugate others.”