Kopacabana

Marcos Bonisson & Khalil Charif I Brasil

Kopacabana é um filme experimental, que se passa em Copacabana, icônico bairro do Rio de Janeiro, no Brasil, tomado como epicentro de experiências interculturais, sociais e sensoriais. Elaborado por meio de uma colagem de imagens contemporâneas e de arquivo (em super 8 e digital), é narrado por um poeta, na voz de Fausto Fawcett, e ambientado pela sonorização do músico Arnaldo Brandão.

Kopacabana is an experimental film, taking place in Copacabana, an iconic neighborhood in Rio de Janeiro, Brazil, seen as the epicenter of intercultural, social, and sensory experiences. Elaborated through a collage of contemporary images and archives (in Super 8 and digital), it is narrated by a poet, in the voice of Fausto Fawcett, and set by the sound work of the musician Arnaldo Brandão.

CHICARRON

Hiro Tanaka I Japão

Tanaka explora um mundo de ilusões que se amarra entre realidade e fantasia. Movendo-se de um lugar para outro, usa  imagens familiares e improváveis que tomadas, em diferentes registros, ritmos e sentidos, fragmenta as fronteiras entre o corpo político e o nosso próprio corpo. Há situações em que não há controle e ao que parece, nem como evitar, como a repetição compulsiva numa relação em que tempo e  espaço são distorcidos, compactados em distâncias a serem superadas. Mas tudo pode ser diferente se retomarmos a estrada, o aleatório dos encontros e os fluxos inesperados.

Moving from one place to another, going into familiar and unfamiliar scenes. Countless encounters during life on the road. Things can be different but feel like its constant repetition under a pile of time and distance. Often some random things just happen to you and we have no control over avoiding it. Time and space can be twisted, Distance and space can be distorted, Explore the relation between encounters, randomness, and consequences through experience and memento. [Tanaka]

Around 42nd and 7th I Entre 42ª e 7ª

Hiro Tanaka I Japão​

Durante sua visita a Times Square, avenida cercada em todas as direções por grandes painéis luminosos controlados pelas mídias corporativa, em Nova Iorque, Tanaka experimenta uma sensação de descolamento da realidade e uma espécie de embaralhamento de seus elementos. Como se as fronteiras perceptivas entre as coisas, as pessoas, os cheiros, as emoções, os sons e as matérias colidissem em outro tempo e espaço. Suas imagens refletem sobre o impacto de estar exposto a esse cenário de uma hipervisualidade eletrônica ocupando, em escala arquitetônica, o espaço da cidade, a perda dos sentidos e das identidades.

In New York, Times Square attracts so many different people from all over the place. This area gives me illusions that are composed of enormous elements between reality and fantasy. Time, space, and matter under different rhythm, speed, and sense. Borders between people either political or personal, across race, gender, distance, a time we all passed through, things, sounds, smell, emotions, and all kinds of activities merging all together making one big stream on the street. [Tanaka]

Woman Go No'Gree I As mulheres não precisam concordar

GLORIA OYARZABAL I Espanha

Não é à toa que o título As mulheres não precisam concordar é emprestado da famosa e amplamente debatida canção Lady, de 1972,, do músico nigeriano Fela Kuti. Nesse projeto, Oyarzabal estabelece diálogos provocativos entre imagens de arquivo, instantâneos contemporâneos e performances para a câmera, nas quais explora como o olhar do colonizador refrata a imagem da mulher africana. Desconstrói referenciais eurocêntricos que estruturam categorias de gênero de maneira universalista e retoma, como fundamentais para a vivência feminina, considerações de classe, raça, idade e experiências, tanto individuais quanto coletivas. Examina os efeitos do colonialismo e o equívoco em tomar a estrutura binária do feminismo ocidental para um entendimento da diferença de gênero na África e  propõe, portanto, a descolonização do feminismo.

It is no wonder that the title “Women don’t have to agree” is borrowed from the famous and widely debated song “Lady” (1972) by Nigerian musician Fela Kuti. In this project, Oyarzabal establishes provocative dialogues between archival images, contemporary snapshots, and performances for the camera where she explores how the look of the colonizer refracts the image of African women. Deconstructing Eurocentric references, which structure categories of gender in a universalist way, it retakes, as fundamental for the female experience, considerations of class, race, age and experiences, both individual and collective, examining the effects of colonialism and the mistake in taking the binary structure of feminism for an understanding of gender difference in Africa. It, therefore, proposes the decolonization of feminism.

Calendar Girls I Garotas do Calendário

Julia Gunther I Holanda

Fundado em 2015, na África do Sul, o Miss Calendar: Girl Beauty Pageant é um evento anual no qual mulheres trans competem em várias categorias. Ele proporciona aos membros trans da sociedade sul-africana um ambiente institucionalizado, uma rede de apoio e, acima de tudo, um senso de comunidade. Para o Miss Calendar 2019, inspirado no filme Priscilla – Rainha do Deserto as candidatas foram fotografadas por Gunther numa salina nos arredores da Cidade do Cabo. Toda produção, roupas, maquiagem foram idealizadas e realizadas pelas próprias garotas, que tanto competem quanto se juntam na construção de um lugar social.

Founded in 2015, the Miss Calendar Girl Beauty Pageant is an annual event where trans women compete in a variety of categories. Pageants like these provide trans members of South African society with a safe environment, a support network, and above all, a sense of community. Inspired by the movie ‘Priscilla – Queen of the Desert’ I photographed the pageant participants on a saltpan outside of Cape Town. The calendar girls themselves designed and applied all outfits and make-up. [Gunther]

Pride and prejudice - Sapeurs of Brazzaville  
Orgulho e preconceito - Sapeurs de Brazzaville

Kai Löffelbein I Alemanha

Löffelbein, documenta a pouco conhecida cultura dos sapeurs congoleses, organizada em grupos que levam nomes como M.O.S.A.D, A América não tem amigos ou Demônios Vermelhos. Seu guarda roupa é impecável e ricamente montado, semanalmente os grupos se encontram  para  discutir as últimas tendências da moda, praticar poses fotográficas ou apenas para conversar. Exercem profissões regulares e são carpinteiros, vendedores ou professores que investem grande parte dos seus rendimentos na moda europeia combinada com seu próprio estilo. Os sapeurs  ̶ palavra derivada do francês  para eles ganha outro sentido ao ser ressignificada como  Sociedade dos Ambiciosos e Personalidades Elegantes ̶ são celebridades locais, gozam de grande reputação, consideram-se artistas da vida, com sua alegria, liberdade e estilo que confronta com a condição materialmente precária em que vivem.

Löffelbein documents the little-known culture of the Congolese Sapeurs, organized in groups bearing names like “M.O.S.A.D”, “America has no friends” or “Red Demons”. Their clothes are impeccable and richly assembled; the groups meet weekly and discuss the latest trends in fashion, practice photographic poses, or just to chat. They exercise regular professions, as carpenters, salesmen, or teachers, and invest a large part of their income in European fashion combined in their own style. The Sapeurs – a word derived from French (clothing) but which for them takes on another meaning – Society of the Ambitious and Elegant Personalities – are local celebrities, enjoy a great reputation, consider themselves “artists of life”, confronting their joy, freedom, and style, in contrast to the materially precarious condition in which they live.

Fotoperformance Popular I Popular PhotoPerformance

Alex Oliveira I Brasil

Em 2019, um estúdio fotográfico foi montado em plena rua, em uma área central e com grande circulação de pessoas, na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, Brasil. O projeto contou com a cooperação de moradores da cidade e dos artistas Cleiton Custódio, Larissa Dardânia, Malu Teodoro e Mariana Guerron. Transeuntes e trabalhadores do entorno são convidados a participar da criação de fotoperformances, potencializando pequenos gestos e objetos cotidianos, ideias, afetos, rotinas e instauram no espaço público uma performance coletiva com a força de uma intervenção urbana.

In 2019, a photographic studio was set up in the middle of the street, in a central area with a large circulation of people, in the city of Uberlândia, Minas Gerais, Brazil. City residents and the artists Cleiton Custódio, Larissa Dardânia, Malu Teodoro, and Mariana Guerron took part in the project. Passers-by, surrounding workers and others, were invited to take part in the creation of photo performances, transforming small gestures and everyday objects, ideas, affections, routines in the production of the collective performance in the public space with the strength of urban intervention.

Aula de lambada estranha I Strange Lambada Class

Darks Miranda I Brasil

O vídeo de Miranda apresenta uma narrativa surreal, criado no ano de 2020, em uma cidade que se incendiou, sua água secou ou está contaminada, e das profundezas da terra e dos céus surgem seres extra-humanos desorientados.

Miranda´s work presents a surreal narrative in a city that was burned down, its water was dried out or was contaminated, and where, from the depths of the earth and the skies, disoriented extra-human beings emerge.

Portraits I Fingimientos: cuerpos y retratos
Portraits I Fingimentos: corpos e retratos

Ricardo Muñoz Izquierdo I Colômbia

Muñoz Izquierdo inspira-se no precário e no surreal, tomando o próprio corpo para dar vida aos personagens anônimos e sinistros que retrata. Suas séries Portraits e Fingimentos: corpos e retratos são fruto de experimentos com a pintura corporal e a performance para a câmera. Explorando a iconografia das tatuagens usadas pelos grupos do crime organizado para a comunicação entre seus membros, desconstrói seus códigos carregados de simbologia sagrada, para dar alma às suas figuras desconcertantes.

Muñoz Isquierdo is inspired by the precarious and the surreal, taking his own body to “give life” to the anonymous and sinister characters he portrays. The series “Portraits” and “Fingimentos: cuerpos y retratos” is the result of experiments with body painting and performance for the camera. Exploring the iconography of the tattoos used by organized crime groups to communicate among their members, he deconstructs their codes, loaded with sacred symbolism, to “give soul” to their disconcerting figures.